sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pra que você possa entender, o que eu também não entendo...

Dear F,
Vou ser, pela primeira vez, direta.
Só preciso dizer que acabou.
Sempre gostei de florear um pouco, talvez até mesmo de imaginar coisas inexistentes, de sonhar com situações impossíveis e você nunca permitiu com que eu sonhasse, deixe-me explicar, nunca houve um momento de ansiedade, de pensamentos, não, nada.
Gosto muito de inteligência, pessoas inteligentes me instigam, me contrariam e me divertem, ah, como amo ser contrariada, ah, como adoro estar errada. Discursões me divertem, me animam. A aceitação é um tanto entendiante. Ainda sim, insisti.
Não gosto de elogios simples, sem criatividade, gosto de meias palavras, de entrelinhas, quero descobrir o novo, estou sempre atrás de desafios. E o quê disso você tem? Nada.
É, a verdade é que nós nunca fomos bonitos juntos, como a água e o óleo, não devíamos nem ter tentado nos misturar. Erramos ao tentar. Erramos de novo ao insistir, e tento acertar agora ao acabar com toda essa fantasia.
E, mais friamente agora, penso que nunca existiu nada, nenhum afeto. Talvez uma única conversa interessante, se muito. Não peço que me interprete bem, na verdade, não moderei nenhuma palavra quando escrevi isso. Quis dizer o que já devia ter dito há muito. Não faz sentido que eu tente ser polida quando ninguém nunca o foi comigo.
A única coisa que desejo a você é felicidade, sem falso moralismo, você fez parte, ainda que por pouquíssimo tempo, da minha vida. Assim, finalizo.
Atenciosamente,
B

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Renova-te


Não choro mais. Não me lamento mais. Sofro de um mal que não pode ser curado com remédios, sofro de um mal que não pode ser diagnosticado por nenhum exame. Sofro de coração partido.
Ó coração, que já se colou e quebrou tantas vezes, só me permita viver. Não me cria esperanças de mais nada, na verdade, cumpra apenas sua função biológica. Deixa-me nessa vida inanimada, nessa rotina imersa em lembranças tão distantes. Ensina-me coração, como é ser feliz mesmo sendo, irremediavelmente, vazio.
Enquanto isso perdoa-me por ser esnobe, arrogante, insensível e até mesmo infiel. Me mostra apenas como é prosseguir.
Por último,ainda que eu não tenha nenhuma esperança, cola-te coração.



PS.: Sim, o texto é meu. Muita gente tem vindo me perguntar se sou eu quem escrevo. No entanto, não representa exatamente o que penso, é mais como uma 'inspiração da hora' se é que posso chamar assim. Alguns são meus pensamentos, outros não. É, eu sei, é confuso. Mas o que há de se fazer?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

When a tornado meets a volcano


Um dia um tornado encontrou um vulcão. Logo se tornaram inimigos, logo se tornaram amantes.
O tornado atendia por um nome de mulher, discreta e geniosa, ela era uma pessoa sábia além do imaginável, sempre dizia as palavras certas. Não era tão bonita, mas tinha uma sensualidade apelativa, alguma coisa a mais, talvez fosse seu gênio. Ninguém queria ser o motivo da ira daquela mulher, quando sua excepcional calma se transformava em raiva era como um tornado, discutia elegantemente, mas com uma pitada de arrogância. Era assim, sempre foi.
O vulcão era homem, dos mais bonitos e divertidos. O vulcão não tinha a arrogância do tornado, porém tinha o dobro do seu orgulho, ele não era tão inteligente, no entanto sua beleza cegava até os olhos daqueles que já não enxergavam, seu carisma era inigualável, todavia não era nada calmo. Aliás, ele vivia se estressando. Não tinha muita paciência com gente arrogante, não tinha muitos escrúpulos na hora de discutir.
Numa dessas discussões seus caminhos se cruzaram, a briga foi devastadora, ela discutiu nem tão elegantemente, ele manteve-se rígido como sempre, poucas horas depois sentiam o mais intenso prazer que a paixão podia proporcionar-lhes. É, eram inimigos amantes.
Tudo foi extremamente difícil, atiravam seus defeitos na cara do outro como num jogo de dardos, eram apaixonados duma forma que doía imaginar. A emoção dela nunca o comoveu, contudo sua arrogância o divertia. O ceticismo dele nunca a fez titubear, mas ela tropeçava no seu orgulho. Nenhum dos dois teve coragem se desculpar, acabou então.
O mais estranho é que ambos estavam errados, a arrogância do tornado não deixou que ela admitisse seu erro, o orgulho do vulcão falou mais alto que sua paixão. Viveram infelizes até o dia do reencontro. Quando se viram, a Terra fatalmente sentiu a turbulência do encontro de um tornado e um vulcão.