domingo, 29 de abril de 2012

minh'alma

Acho que estava cicatrizando até, mas fizeram questão de cutucar, de arrancar a 'casquinha'; de fazer sangrar novamente, e hoje, acordou extremamente inflamada.
Não consigo pensar em qualquer justificativa plausível para toda essa confusão. A verdade é que, talvez, eu só estivesse buscando mais paz e menos confusão, porque no fundo eu sabia, que mexer nisso ia ser o gerador de caos mais absurdo que eu poderia descobrir.
Não há sequer um gesto de compreensão. E o pior é que eu ainda não me acostumei, não consigo me acostumar que isso é um ato repetitivo. Apenas as pessoas carismáticas são compreendidas, sempre. Mas 'tudo bem, dessa vez eu já vesti minha armadura', e não, não vou deixar que isso me estrague, incomode.
E se piorar, também piorarei a forma com que tenho agido, e sim, é possível. Estou cansada de tentar ser vinte pessoas diferentes. Estou cansada de me preocupar com conceitos que agora não me importam mais.
Estou com medo sim, porque eu sei que essa minha confusão está traçando uma lista de mal (ou bem) entendidos. Mas, para dizer a verdade, era isso mesmo que eu queria, não?
'Eu não ficaria bem na sua estante'. Tenho necessidade de mim agora e bom, é só o que posso sentir. 



"Todos os dias o ciclo se repete, às vezes com mais rapidez, outras mais lentamente. E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim"

sábado, 21 de abril de 2012


"Chega um dia que a gente simplesmente muda, os sentimentos acabam e o coração faz novas escolhas"


                                                                                                     

conto quase de fadas
                                                           
disse-me que só queria ser livre.
tão livre quanto os pássaros que podiam voar

metaforizou sobre a ida ao sul
lá encontraria calor
encontraria amor
e enfim, viveria em paz

falou-me que havia acabado
morrido o sonho
e que o coração já tão fragmentado
agora havia de ser completamente esfacelado.

citou passagens, trechos célebres
tatuou liberdade na testa
desembestado que estava
à partir do meu casebre

e eu ora, o que queria?
sem demora,
apontei-lhe a estrela cadente e disse
'que o sul fosse agora'.



e o plebeu sorriu, indo embora. lamentava pela princesa, mas ansiava a liberdade.
nunca soube que a princesa era quase fada.
e só quando chegou ao sul, notou que sua bússola estava quebrada.

                                                                                                  

domingo, 1 de abril de 2012

so I throw my cards on your table

Chamei pra vir colocar o tempero no meu Miojo e veio, rápido demais até. Não sem antes derramar metade dele e me queimar com água fervendo; dando gargalhadas das bolhas que se formavam em minhas, já inábeis, mãos; rindo mais ainda quando percebeu que eu ficaria sem almoço.
Ofereceu-me um Trident de canela e eu realmente tive vontade de matar, ou ao menos, bater severamente. Não fiz nada disso, nem quando molhou a cozinha lutando com a garrafa que eu costumava guardar água. Os cacos ficaram no chão e eu disse pacientemente que varreria.
Enlouqueceu cada segundo do meu dia e me deu mais trabalho tentando ajudar que se quisesse abertamente atrapalhar. E eu, todavia, nada fiz.
E continuava não me entendendo, não aceitando minha inércia passiva diante daquilo tudo.
Ligou até a televisão e eu não surtei.
Abriu meu notebook, errou a senha e quase me obriga a reformatar; e eu? apenas ergui a sobrancelha, num olhar meio impaciente.
Não mandei embora e ao contrário, pedi que ficasse.
Pedi que trancasse a porta.
Pedi que apenas, fizesse-me feliz.


"Is this love, is this love, is this love
Is this love that I'm feeling?"