segunda-feira, 11 de março de 2013

sobre amizade.

é fácil demais amar alguém quando o riso é muito, os problemas são pequenos e a convivência é nula.
é simples dar um abraço descontraído numa criatura nova, que vai embora dali a dez minutos e que não se engane, você tornará a rever, e nem sequer irá cumprimentar.
amar o outro na descontração não é prova de amizade.
suportar o outro em um momento único de dor também não é. ouvir, ir pra casa, tomar uma ducha e esquece. que prova de amizade isso traz?
nenhuma.

porque amizade é abraçar a convivência com todas as suas imperfeições. é aceitar que haverão dias complicados sim, e que sobretudo, o companheiro novo sempre parecerá melhor. porque afinal, ele não lhe conhece, ele não sabe o quão chato e implicante você pode ser. ele não passou horas pensando nos seus problemas e numa maneira de lhe ajudar a resolvê-los. ele é temporário, serve pra aplacar um vazio, numa fase em que você precisa de alguém pra lhe dizer o que você quer ouvir, aquilo que seu amigo, se for amigo mesmo, não lhe dirá.  mas ele se vai, e você nem pode dizer que o perdeu, afinal, será que ele realmente se importou?
e assim, você vai deixando que o amigo real vá embora, tome outros rumos.

se for de verdade, você pensa, vocês irão se acertar, irão tornar a se amar como antes.
mas não vão. porque a convivência destrói esse início gostoso, essa despreocupação. não se engane, jamais voltarão os primeiros tempos. afinidade e proximidade implicam em diversas coisas boas, a intimidade então, é por si só maravilhosa, porém, extremamente destrutiva.
e você toma mais uma vez o local ao lado do companheiro no bar, aquele que lhe faz rir. porque de problemas já bastam os seus, não? e isso se repete, e quando você se assusta, já se perdeu o vínculo.
acabou. foi-se.

e aí meu amigo, não há arrependimento que reconstrua.
pode ser até que não permaneça rancor, desgosto, dor. mas perdeu-se o elo da convivência e até mesmo o desgaste do cotidiano. perdura-se uma estranheza esquisita, você toma o lugar de companheiro daquele que um dia já foi amigo. mas o que fazer com a intimidade construída? como revertê-la a um desconhecimento superficial? isso é impossível. não há caminho contrário para a afinidade. ou se tem ou se perde. depois que se conhece, é impossível voltar a desconhecer.

amizade que é pra valer pede por provas de fogo, precisa de conflito, de briga, de conversa.
amizade precisa é de abraço verdadeiro, aquele em que se sente a troca de energia, quase que uma forma de revitalização.
amizade meus amigos, é amor.
e se não for, é melhor você ir embora logo, antes que acabe se decepcionando.
aliás, decepcionando não. porque acho que a decepção é consigo mesmo, e não com o outro.
o sentimento é quase que uma eterna tristeza, um buraco que a gente não consegue preencher nunca, porque uma vez que se cola uma pessoa no coração, bem coladinha mesmo, com todos os cantos aparados, é impossível tirá-la de lá sem nos rasgar, dilacerar esse nosso órgão que não é de papel.