Não consigo mais me entender depois que lhe conheci, por mais clichê que isso possa parecer, você ultimamente tem dominado qualquer pensamento, por mais fútil que seja.
É uma sensação estranha, como se de repente, o mundo tivesse parado de girar. Mas aí eu me debruço no parapeito da minha janela e vejo que estou errada, que está tudo lá, em seu devido lugar, e que o desconcerto é todo meu.
Talvez eu tenha de fato perdido a noção, errado na dose, feito novamente o que eu juro, a cada final conturbado de história, que eu não farei mais. Mas dessa vez tem sido ainda mais complicado.
Eu não sei bem como me expressar. Acho que pela primeira vez eu não consigo rabiscar num papel tudo aquilo que eu tenho sentido ou pensado. Meus dedos pesam nas teclas e eu não consigo articular as palavras, eu me perdi na minha cabeça. E sério. E por favor, me entenda, pra mim isso é meio desesperador.
Todas as voltas dadas pelo meu cérebro tem sido em torno das muitas mensagens que você me manda, das conversas animadas, das conversas desanimadas, dos passeios encantadores, dos muitos sorrisos, das muitas cervejas, de todos os muitos que você tem me trazido.
Você tem me feito esquecer toda a confusão que sempre foi minha vida, ocupou o lugar rachado que antes ocupavam os amores antigos, incrivelmente não apagados. Você também os apagou, um a um, independente do que fossem.
Você me pede para que fique. Mas a verdade é que eu não conseguiria mesmo ir embora, ainda que tenha tentado uma porção de vezes. Eu nunca lhe pedi que ficasse. Acho que não quero que você se prenda, não sei. Mas fica. Não quero lhe amarrar, não, longe de mim. Quero mais é que você fique se quiser, porque não é assim que funciona? Não é assim que pelo menos, deveria funcionar?
É só isso que eu quero lhe mostrar. Quando vira nó é porque deixa de ser laço. Não deixe que isso aconteça e eu prometo que fico e não vou embora nunca mais.