domingo, 6 de outubro de 2013

reprise

06 de outubro de 2013.
faltam 10 dias pra completar um ano e me pego pensando em como seria se eu já soubesse no ano passado.

será que faria alguma diferença, se em 06 de outubro de 2012 alguma coisa sussurrasse no meu ouvido ou explicitamente marcasse no calendário o dia 16 de outubro com uma cruz? eu teria alguma reação notória ao ouvir que aquela vida que já estava de fato, por um fio, extinguiria-se dali a dez dias?

morrer é ridículo. 
que diferença fariam menos dez ou mais dez dias de agonia? que diferença faria mais ou menos uma hora? porque as dez e não as onze ou ao entardecer? 
o mais estranho é que morrer parece uma coisa natural, por um segundo se vê brilho nos olhos e de repente, as pupilas se dilatam e não há mais nada naquele oco, não sai ar das narinas e as mãos começam a gelar.

não sei se dói quando o coração resolve se aposentar, o que eu sei é que ele não dá aviso prévio. ele simplesmente para. não ouvi sua última batida, não fiz nenhum sinal de adeus e acredito veementemente que nada disso mudaria.

talvez eu tivesse tempo de escrever um obituário, mas eu já não tinha feito isso há exatos 03 anos atrás? será que eu sempre soube que seria em outubro? não sei. 
pra dizer a verdade eu achava que ia ser no dia do meu aniversário. um último protesto. alguma coisa pra me lembrar sempre do que eu fiz ou deixei de fazer, de todos os sentimentos que não tive e também daqueles que tive em excesso, errados talvez.

será que é possível sentir que será sua última respiração? 'hoje é a última vez que o dia nascerá pra mim'. pra onde vão todos? se é que vão pra algum lugar. talvez eu pergunte isso a alguém que ligar procurando por notícias dele. 'ah meu amigo, pra onde é que vão todos?'. deve ser interessante ver a reação das pessoas, aqueles todos cheios de pensamentos engraçados, que acham que não se pode brincar com um assunto desses. eu brinco, falo sério, faço o que bem entender, como ele fez a vida inteira. morrer é passagem, eu acho. no fundo, ainda deve existir alguma essência de cada um por aí, não sei como, mas deve.

não sei se vou a nenhuma missa, não quero ir, não acredito. não, eu ainda não sei no que acredito, e posso escutar você aqui dizendo que meu tempo vai se esgotar e eu não vou saber no que acreditar. faz tanto mal assim não crer no óbvio? disse ainda ontem aqui que acho que dia quinze - seu último dia completo, o último dia em que lhe vi com vida - devia ser comemorado. obviamente, não me deram ouvidos. 
então me lembro do que você me pedia pra ser, nas raras vezes em que nos entendíamos: faça diferente. talvez eu esteja só tentando por tentar, ou talvez eu realmente queira ser diferente. cheia de dúvidas (e descrenças) sigo por aí, muito bem guardada e quem sabe até, mais ajuizada.

vai fazer um ano e não parece que foi ontem. pelo menos pra mim, parece que já faz uma vida.