terça-feira, 30 de agosto de 2016

quando te vi saindo por aquela porta que você nunca havia saído antes, tive certeza que tinha acabado.
tudo em mim doeu. e continua doendo.
às vezes eu acho que não mereço isso. noutras, gosto de me culpar.
o amor não vence tudo e quem disse isso foi algum mentiroso. você foi embora mesmo eu te implorando pra ficar.
continuo te amando a cada mensagem não respondida, a cada não sutil que você me dá. continuarei te amando a cada pessoa nova que te aparecer e toda vez que eu me sentir traída, usada e descartada como aqueles sapatos da tal loja preferida que a gente teima em sempre comprar.
eu continuo te amando toda vez que você me vê chorando e ignora. a toda mensagem cheia de descaso.
eu continuo te amando a cada dia que passa e você não volta. a cada combinação nova que você não me inclui.
eu continuei te amando ainda mais quando você me disse para não te esperar.
eu continuei te amando mesmo depois de ter lido tudo que li.

eu só continuo.
e, porra, como dói.

quando eu era pequena, achava que o inferno era um lugar terrivelmente quente e cheio de monstros.
hoje, sei que o inferno é sua voz gelada.
o inferno é aqui. em tudo que estou sentindo. o inferno é essa agonia que não me deixa.
nele, só faz frio. eu sempre detestei o frio.


mas continuo te amando.
“você era a pessoa em que eu mais confiava no mundo”.
fecho os olhos todos os dias desde que você foi embora e sonho com esse pretérito imperfeito que você nos transformou.
você diz que a culpa é minha e eu sinceramente, já não sei mais em que acreditar.
eu só te amo tanto. te amo há mil e setenta e dois dias. talvez até antes disso. te amo desde que coloquei meus olhos (e mãos) em você.
não há exército de um só. o amor não suporta tanta sofrimento. eu fiz de tudo. você desistiu.

li hoje em algum lugar que “quando o amor começa a doer, é hora de ir embora”.
acho que minha hora chegou.


seja muito feliz.

sábado, 2 de maio de 2015

É proibido atrasar

É proibido atrasar

Envelheço numa velocidade imprudente há dois anos - 730 dias em que vivi uma década, piscando os olhos apenas um par de vezes.

As feições mudaram e o peso de existir também. Crescer dói. Não mais nos joelhos, mas na alma.

Cada novo dia - essas 24 horas em que nascemos e morremos e nascemos de novo - tornou-se, ridiculamente, uma eterna luta contra os ponteiros do relógio.

Correndo pra lá e pra cá desisto de não me atrasar e coloco uma música, cruzando secretamente os dedos para que o metrô demore e eu possa ouvir só mais uma entre uma estação e outra. - Carioca. Botafogo. Siqueira Campos. Menina, presta atenção, desliga o som e guarda esse celular que tá tudo muito perigoso. -

Entre chegadas e partidas, vi muitos amores irem embora, alguns se despediram, outros, jogaram-se no mundo de tal forma que, as vezes, penso que sequer despediram-se deles mesmos.

Tic tac.

E o tempo passa sem que eu me dê conta do que estou fazendo com ele, ou comigo. Acho que se tivesse que lançar um time sheet da minha existência, ele estaria constantemente no negativo. E atrasado.

Nele, debito quotidianamente pedaços de alma, de vitalidade. Tenho medo, contudo, de me perguntar o que recebo em troca. Receio saber, intrinsecamente, a resposta.

E amanhece mais uma vez sem que eu tenha dormido.

Por mais um dia, aceito e destilo um punhado de venenos e conceitos tortos, para ora, que ironia, ser aceita nesse lixo que denominamos sociedade.
Com efeito, aprendi a conviver com o inaceitável, apenas porque não tenho tempo para não o aceitar.

Certa vez me perguntaram porque gosto tanto de pontos, ao invés de vírgulas. Não me lembro do que respondi. Devia, contudo, ter dito que pontos representam pausas maiores do que vírgulas. Estou precisando, desesperadamente, de mais pontos.

Sinto-me constantemente angustiada, principalmente quando noto que as sessões-coruja estão cada vez menos frequentes. Enquanto que os conselhos sobre produtividade e aproveitamento do tempo se multiplicam.
Conselhos esses vindos, perdoem-me os fãs da autoajuda, de quem não tira pra si um segundo sequer do seu dia.

E é buscando essa pontualidade intangível e cada vez mais distante, que vou, proporcionalmente, abandonando essa luta.

Sem fôlego, conformo-me com Os Minutos Felizes - tempos bons, que, cruzo os dedos aqui de novo, agora abertamente, hão de durar até o fim.

E com esse pensamento, hoje tenho tempo apenas para sentir uma saudade - de um velhinho que chegava com antecedência a qualquer lugar - e que apesar disso, quis muito ter se atrasado para ir embora.

Pena que esse compromisso, ao contrário de tantos outros, importantes, significativos e ora, pouco lucrativos que se têm ao longo da vida, nem ele nem ninguém jamais conseguiu adiar.