Ando cansada de me ver e não me achar.
O espelho retrata olhos vazios, repletos de uma não-existência, um sumiço do brilho que um dia já houve.
Recolho-me para além do meu âmago, a ponto de extirpar minha alma de dentro de mim. Movo-me como marionete de rotina programada, sinto minha capacidade de escolher sendo retirada mais e mais.
Impõem-me um plano de existência que não me agrada, acabo por fim vencida pelo cansaço, pelo excesso de lições de moral.
Já não sei mais quem sou e não encontro um porquê para voltar a sê-lo, continuo então atendendo demais ao telefone, escrevendo rápido demais e, deixando que a vida passe transitoriamente por mim.
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