domingo, 4 de setembro de 2011

de dezembro de 2010, meio revisado. 'when a tornado meets a volcano'


Um dia um tornado encontrou um vulcão. Logo se tornaram inimigos, logo se tornaram amantes.
O tornado atendia por um nome de mulher, discreta e geniosa, era uma pessoa sábia além do imaginável, sempre dizia as palavras certas. Não era tão bonita, mas tinha uma sensualidade apelativa, alguma coisa a mais, talvez fosse seu gênio. Ninguém queria ser o motivo da ira daquela mulher, quando sua excepcional calma se transformava em raiva, não havia quem a parasse. Discutia elegantemente, porém possuía uma arrogância digna de aplausos.
O vulcão era homem, dos mais bonitos e divertidos. O vulcão não tinha a arrogância do tornado, porém tinha o dobro do seu orgulho, ele não era tão inteligente, no entanto sua beleza cegava até os olhos daqueles que já não enxergavam, seu carisma era inigualável, todavia não era nada calmo. Aliás, ele vivia se estressando. Não tinha muita paciência com gente arrogante, não tinha muitos escrúpulos na hora de discutir.
Numa dessas discussões seus caminhos se cruzaram, a briga foi devastadora, ela discutiu nem tão elegantemente, ele manteve-se rígido como sempre, poucas horas depois sentiam o mais intenso prazer que a paixão podia proporcionar-lhes. Tornaram-se inimigos amantes.
Tudo foi extremamente difícil, atiravam seus defeitos na cara do outro como num jogo de dardos, eram apaixonados duma forma que doía imaginar. A emoção dela nunca o comoveu, contudo sua arrogância o divertia. O ceticismo dele nunca a atropelou, todavia tropeçava no seu orgulho. Nenhum dos dois teve coragem se desculpar, acabou então.
O mais estranho é que ambos estavam errados, a arrogância do tornado não deixou que ela admitisse seu erro, o orgulho do vulcão falou mais alto que seu desejo. Viveram infelizes até o dia do reencontro. Quando se viram, a Terra fatalmente sentiu a turbulência do encontro de um tornado e um vulcão.

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