sábado, 4 de fevereiro de 2012

(des)ilusão

o gosto de vômito ainda permeava a boca quando, no terceiro gole, jogou o copo d'água fora.
almadiçoara-se por ter bebido tanto na noite anterior e tentava, ainda que inutilmente, se lembrar do que havia ocorrido.
quatro, cinco? talvez até mais. seis, sete? lembrava-se de alguns nomes, de uns apelidos. lembrava-se de flashes de luzes, de roupas sendo tiradas e recolocadas por muitas e muitas vezes. que loucura era aquela afinal?
sentiu vontade de fingir que era seu aniversário de novo; de poder começar a noite irradiando alegria, na casa do namoradinho que era para sempre, com os amiguinhos que jamais se separariam e a família que nunca seria esquecida. queria não ter descoberto tanta traição, não só a do namorado, que já desconfiava. mas a dos amigos, dos familiares. queria não ter saído intempestiva e ido parar na pior casa noturna da cidade.
queria tanto não ter perdido a pureza com um estranho qualquer. queria não ter colocado tanta coisa imunda na boca. queria sobretudo, não ter bebido tanto.
todavia, agora era tarde, já tinha feito tudo aquilo. por ora, só restava à menininha mimada, tomar o quinto banho da tarde e encarar sozinha as consequências do seu destempero.
chorando, adormeceu. logicamente após vomitar o quarto todo, mais uma vez.
dormiu sonhando com um kit para ressaca e um novo amor.

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