quinta-feira, 31 de maio de 2012

despedaçar.

cansaço, dor de cabeça, cabelo despenteado e uma barra de kit kat na boca.
e então eu lhe vejo.
e por um segundo eu me esqueço de tudo e meu mundo se ilumina, esperando um abraço seu, um sorriso ou qualquer olhar que seja.
anseio de longe por qualquer migalha de atenção, qualquer toque por mais indelicado que seja. é você que eu quero, apesar de tudo.
e então eu me recordo que já não nos falamos há mais de um mês.
que eu já fiz de tudo pra dizer que não quero mais saber de você.
que você enfim, decidiu viver sem mim.
é claro que você está ainda mais lindo, mais doce.
é claro que eu estou cada dia me desfazendo mais em atitudes tresloucadas, dignas de plateia.
é claro que você causou tudo isso.
e você continua ali, tão incrivelmente palpável.
e eu preciso, preciso de todo o meu ser, te agarrar pra não soltar e dizer que eu busquei teu beijo noutras tantas bocas esse mês que se passou, e cada vez ficava mais triste, sozinha e incrivelmente cheia de uma saudade que doía, uma saudade louca de te ouvir dizendo que tudo vai ficar bem.
mas não vai, porque você foi embora.
não vai ficar bem porque desde que lhe vi não consegui mais falar, não consegui mais ter outro pensamento que não fosse a cor dos seus olhos ou a forma com que você parecia ter saído do banho, ainda com o cabelo molhado, e seu cheiro, ah que cheiro você tinha na última vez que eu lhe disse adeus.
e então eu releio todos os históricos que fracamente não tive coragem de apagar, leio todas as mensagens que guardei, revejo aquelas fotos malditas que você teimou em tirar mesmo com os meus protestos.
e aí quero chorar e não choro, quero me isolar e continuo cercada de gente chata, cheia de assunto que não me interessa agora, e nunca mais sair daqui, porque aqui eu não lhe vejo mais.
porque aqui não preciso estar sempre alerta, imaginando seu aparecimento repentino do outro lado do sinal.
e dá vontade até de mudar de casa, de bairro, de planeta, só pra não ter de sentir isso outra vez.
mas eu fico, protestando. continuo estudando, trabalhando, saindo para o que quer que seja. continuo em minhas farras, buscando outros olhares que não os seus, sentindo gostos diferentes, procurando por toques que sejam minimamente semelhantes à sua memória. 
e fique aí, imortalizado, doendo. porque enquanto tiver doendo terei a certeza que ainda lhe amo e amigo, a última coisa que quero é um coração curado. fique assim, apareça de vez em quando, pra eu me contorcer de dor, despedaçando cada pedacinho de minh'alma, fazendo com que cada célula se arrependa daquelas palavras ditas e incrivelmente, imutáveis. 

isso tudo, porque você nem me viu.

domingo, 27 de maio de 2012

e aí tudo muda...

engraçado como o tempo vai passando e você vai percebendo quantas almas irmãs você tem na mão e perde.
quanta confidência que já nem importa mais, olhares tão cheios de compreensão, olhares que hoje são tão vazios como essa escuridão que vejo ao sentar-me no parapeito da janela.
eu rio vendo o mar e me lembrando daquele lugar que só tem bar; rio porque mesmo que eu renegue quantas vezes for possível a saudade, eu sei que ela existe mais forte do que o controlável, simplesmente por sair rasgada, estúpida, escancarada num 'moooça do céu', seguido de uma risada forte.
é complicado demais entender que o que se foi não voltará, que aquelas pessoas agora são memórias, independente de suas ações atuais.
mudamos todos, talvez tenha mudado até mais. condenam-me sempre, todavia, acostumei-me com esses pré-julgamentos. já os fiz também. sentada na porta da casa de dona inês, ali na esquina da rua do araês, sentada com vocês que hoje me julgam.
não me comovo sempre, acho que sou até meio dura demais. coração já virou gelo há muito, mas confesso que não resisto a uma boa dose de nostalgia; de vídeos, de fotos, de músicas. as tais músicas que marcaram dois anos inteiros.
dois anos nos quais fui tão feliz quanto foi possível, ou até mais, considerando as circunstâncias estranhas as quais me submeti.
marcantes, não? anos que hoje considero de sumo amadurecimento. se sou o que sou hoje é graças a vocês, que talvez infelizmente nem saibam como me sinto, ou pensam que sabem. nem peço que não me julguem, faz parte. talvez esteja mesmo errada.
a verdade é que entre sorvetes no paulista e milhares de salgados na padaria; mojitos e big apples na pracinha; sons de carro animados na casa de pais de amigos (que vejam só, já não tenho notícia há tanto tempo...) e como não lembrar? os melhores jantares que já comi durante esses anos de minas gerais; hoje resta o que sou. e o pouco ainda que não quero oferecer. sim, ninguém esteve errado.
não quero mesmo oferecer, porque acho que é hora de oferecer esse restinho de ser meio malcriado, meio louco que sou ou me tornei (já nem sei) a outrem. é hora de reconstruir um mundo novo, pela quadragésima vez.
é hora de tentar ser de novo, especial para alguém (se é que o fui; a verdade é que nem quero saber) como já fui um dia para certo grupo de amigos, primos, tios e outros assim.
e vou tentando humildemente continuar, em novos points (apesar de sempre ter uma saudade absurda de descer pro pora's no sábado a noite), em novos meios de transporte, em novos hábitos, em novas cores.
e se tudo tem de passar assim, tão rápido, que pelo menos fique a lembrança de madrugadas de conversas longas (porque apesar de já ter-se ido, os horários trocados ainda continuam), de muito frio nas esquinas. e até mesmo, de pontinhas de vaga-lumes nos escuros de algum lugar. tantos maus hábitos que adquiri e de certa forma, gostei. ainda sinto na pele a sensação de ansiedade e medo, quando eu descobria que poderia facilmente ser feliz na sexta-feira a tarde.
é uma saudade que dói, mas em meio a tudo isso, você finalmente consegue prosseguir e se incrementar. sou hoje parte de tudo isso, marcada a fogo por cada olhar de cumplicidade que já troquei com alguém, com cada fugida de casa depois do cursinho, cada tentativa ninja de ligar o modem no alto da madrugada.
estendo aos quatro cantos minhas lembranças, "as coisas tão mais lindas que já conheci", as respostas ou perguntas, sei lá, que me fazem agir como ajo. e assim, vou vivendo, continuando, crescendo. que se feche novamente a caixa de pandora. deixe-a cerrada por outro grande período, até que não aguente mais morder palavras e momentos, até que eu tenha de cuspi-los novamente.

obrigada?



"E para os tais desse mundo de normais, a vida é andar em corda bamba, mas para aqueles de extremos... A corda é arame farpado."

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Amo você.

Assim mesmo, com todas essas suas canalhices.
Amo você pelo seu olhar vadio, que me acelera o passo, que me faz parar a vida, que é o centro do meu mundo.
Amo você por essa barba mal feita, essas suas blusas largas e esse cabelo deliciosamente bagunçado. Amo esse seu cheiro de paixão, de loucura.
Amo você com tudo que há de melhor e pior em mim. Mesmo que nos desencontremos tanto; mesmo que nossas esquinas nunca sejam as mesmas e nem sempre consigamos ser tão fiéis quanto nos prometemos.
Amo você sem contratos, sem rupturas. É só voltar e estar ali com você. É a certeza de saber que eu sempre caberei nos seus braços, independente da forma que eles estejam arranjados (afinal, não há forma incapaz de se desfazer, não é?).
Amo mesmo sabendo que essa loucura é dor. Amo entendendo que você não é meu. Amo desistindo há muito, de ser sua. Amo mais ainda esse nosso vai-e-vem, cheio de sentimento novo, cheio de sentimento velho, todo mesclado, todo doído, todo apaixonado.
Amo a forma com que você se preocupa comigo, amo o seu jeito de me dar sermão. Amo sua cara feia e seu olhar meio carente, a que eu jamais conseguirei resistir. Amo suas broncas ao telefone. Amo quando você me procura quando eu sumo. Amo quando você não desiste de mim. Amo quando você vem me ver.
A verdade é que eu nem tento, ou nem quero parar de lhe amar. Amo você sem reservas. Em qualquer lugar, sob qualquer temperatura (apesar de estar sempre quente, oh, quando lhe vejo).
Amo você em dias tristes, quando o maior consolo é o seu abraço. E em dias alegres, quando seus lábios contornam minha boca de uma forma que eu até hoje não sei traduzir.
Amo você com essa sua confusão emocional. Amo cada uma dessas suas instabilidades, simplesmente porque são você. Amo cada uma de suas caras. Amo quando você ergue uma sobrancelha. Amo até o lóbulo preso da sua orelha.
E é por isso amor, que deixei você ser livre.
E é por isso amor, que eu quero ser livre.
É por isso amor, que eu continuo sempre, indo embora.
Amo você irremediavelmente, mais ainda do que eu me amo.
Vai ser feliz amor, vai viver. Que eu só lhe peço uma coisa.
Não perde esse seu ar de cachorro, não?
Amo, amo, amo você.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

reflexão e texto das mães (que não vale a pena ler).

acordar em outra cama, não ver o sol, não sentir na boca aquele gostinho de ressaca que você se lembra muito bem de ter sentido ano passado.
engraçado perceber o quão a vida muda num espaço de tempo de mais ou menos 365 dias.
ontem eu estava toda cheia de preocupações com o futuro, com a repercussão que a festa (que eu me lembro em detalhes até hoje) iria ter e pior ainda, com o tamanho da vergonha que eu teria das minhas ações de sábado.
não preciso nem me esforçar para lembrar o quanto eu hesitei acordar naquele domingo. primeiro, porque era dia das mães e minha mãe estava muito longe do alcance de um abraço. depois, porque minha ressaca era sofrível, ou melhor, minha ressaca moral era absurda.
lembro-me bem da horda de choros que se seguiram; todos amparados por alguma das mil-mães que tinha, mas que, infelizmente, eram incapazes de amparar.
isolei-me então, como era de costume. vi o dia passar sentada, sozinha ao batente do portãozinho de entrada. aquilo doeu, mas era algo inevitável.
de todas essas recordações, a mais forte é a da dor. da insegurança absurda que eu sentia. do medo do ridículo misturado a uma vontade de ver que o ridículo era o certo.
estava errada, claro.
hoje eu sei que o ridículo foi somente o ridículo. errado. e que nem de longe, poderia ser o certo.

não se passou muito tempo, mas já vejo aquelas cenas sob uma outra perspectiva. já sou capaz de entender o verdadeiro papel de cada acontecimento naquele espetáculo, ainda que seja obrigada a aceitar que ele foi necessário e importante para toda a construção que viria a seguir.

é engraçado sabe? ver tudo através de um espelho turvo, como em um reflexo. estranho a ponto de prender minha atenção pelo dia todo. perturbador ao ponto de me fazer questionar sobre a real importância disso nos meus dias.

há ainda, uma flor morta, decomposta hoje, que foi pivô de uma briga que não foi bem briga, foi mais uma discussão de olhares, um silêncio envergonhado ou rancoroso (prefiro acreditar que envergonhado), o motivo para um sentimento de revolta, que me levaria a situação problema, já questionada.

e aí você pensa, será que se não houvesse havido flor, ou se ela tivesse sido repassada a outras mãos, teria havido tudo isso?
e você sabe que não.
e você se pega sorrindo e entendendo pela primeira vez, a importância das decisões.

é, 2011, você me marcou de uma forma absurda; acho que foi você quem estalou os dedos e me disse para acordar do inferno- 2010. e agora, o que você é? nada.
e agora, o que eu sou na vida de toda aquela gente que eu aplaudia? nada.
e agora, o que toda aquela gente é pra mim?

deu até uma vontade de escanear uma foto pra ilustrar o post, mas no momento é impossível. deu até uma nostalgia leve. segunda vez que sinto isso. a primeira num domingo (e o melhor de tudo isso é descobrir que aqui, no brejo, em moc ou na china, domingos são eternamente chatos), uma vontade leve de comer de novo aquela feijoada das mães de Renato e brigar pela coca cola com os mil primos. uma vontade estranha, semelhante a de não ter vindo, ou melhor, não ter crescido.

então, lembro bem que estou com fome justamente porque não consigo engolir nem água, e aí a vontade passa. o gostinho de ressaca infundado que apoderava minha boca desde a manhã passa e eu finalmente, consigo entender o reflexo das minhas escolhas no meu cotidiano.
é, no mínimo, estranho.


-x-

mas faltou o texto das mães.
que eu prometi que escreveria agora, meio que para fazer disso uma tradição.
e agora, sinceramente, não sei o que escrever.


já pensei muito sobre o que significa minha mãe, e acredito que ela é como as estacas que me ligam  ao chão.
sim, sempre me achei imensamente palafitas, inconscientemente atingida pela força das marés (há, que clichê!), e daí descobri que minha mãe é justamente o prego que não me deixa 'ser levada', que faz com que eu permaneça ali e que também, por ser alto, evita que eu me encha tanto com as marés altas (sofro só os respingos) das confusões. ela é quem verdadeiramente luta, enquanto eu só permaneço ali, guiada.
até o dia em que o mar seca, e as estacas não são mais tão necessárias.
então é hora de guardar as estacas na sua casa e cuidar muito bem delas, dando seu descanso merecido.
e aí você sempre pede os seus conselhos na hora de enfrentar as chuvas, os ventos e continua aprendendo.
só que um dia, essas estacas somem, e você nunca mais as vê, por alguma vontade do destino.
e aí você precisa mostrar a elas (mesmo que invisíveis) aos olhos, que você aprendeu o que elas lhe ensinaram, nada as faria mais feliz.
você precisa continuar enfrentando as intempéries e reformando suas telhas e estruturas também (a casa vai crescendo, não se esqueça), sem o auxílio das estacas.
não se sinta bobo, se um dia você precisar se perguntar qual seria o conselho das estacas. simplesmente enxergue a resposta. ela será, sem dúvidas, a melhor de todas, o mais legítimo conselho de mãe e este, vale mais que qualquer reforma dessa casa.

domingo, 6 de maio de 2012

configuração nova.

livre-se dos estereótipos, mostre a cara; descubra quem de fato é você.
apanhe por ter personalidade ao invés de se esconder numa máscara comum.
desista de tentar se enquadrar e apenas busque quem se enquadre.
permita-se viver sem problematização, entenda que tudo flui, tudo se renova.
deixe o passado bem resolvido e guarde-o muito bem, mas não se alimente dele.
aproveite o dia: chore se tiver que chorar; mas entenda primeiro que a lágrima só causa literalmente, dor de cabeça.
chorar e fingir estar bem não é coragem alguma; se seu mundo estiver se acabando, divida o problema, coragem é encarar a circunstância e achar uma solução.
e assim, sem querer, uma hora ou outra, você acaba topando com a felicidade.