cansaço, dor de cabeça, cabelo despenteado e uma barra de kit kat na boca.
e então eu lhe vejo.
e por um segundo eu me esqueço de tudo e meu mundo se ilumina, esperando um abraço seu, um sorriso ou qualquer olhar que seja.
anseio de longe por qualquer migalha de atenção, qualquer toque por mais indelicado que seja. é você que eu quero, apesar de tudo.
e então eu me recordo que já não nos falamos há mais de um mês.
que eu já fiz de tudo pra dizer que não quero mais saber de você.
que você enfim, decidiu viver sem mim.
é claro que você está ainda mais lindo, mais doce.
é claro que eu estou cada dia me desfazendo mais em atitudes tresloucadas, dignas de plateia.
é claro que você causou tudo isso.
e você continua ali, tão incrivelmente palpável.
e eu preciso, preciso de todo o meu ser, te agarrar pra não soltar e dizer que eu busquei teu beijo noutras tantas bocas esse mês que se passou, e cada vez ficava mais triste, sozinha e incrivelmente cheia de uma saudade que doía, uma saudade louca de te ouvir dizendo que tudo vai ficar bem.
mas não vai, porque você foi embora.
não vai ficar bem porque desde que lhe vi não consegui mais falar, não consegui mais ter outro pensamento que não fosse a cor dos seus olhos ou a forma com que você parecia ter saído do banho, ainda com o cabelo molhado, e seu cheiro, ah que cheiro você tinha na última vez que eu lhe disse adeus.
e então eu releio todos os históricos que fracamente não tive coragem de apagar, leio todas as mensagens que guardei, revejo aquelas fotos malditas que você teimou em tirar mesmo com os meus protestos.
e aí quero chorar e não choro, quero me isolar e continuo cercada de gente chata, cheia de assunto que não me interessa agora, e nunca mais sair daqui, porque aqui eu não lhe vejo mais.
porque aqui não preciso estar sempre alerta, imaginando seu aparecimento repentino do outro lado do sinal.
e dá vontade até de mudar de casa, de bairro, de planeta, só pra não ter de sentir isso outra vez.
mas eu fico, protestando. continuo estudando, trabalhando, saindo para o que quer que seja. continuo em minhas farras, buscando outros olhares que não os seus, sentindo gostos diferentes, procurando por toques que sejam minimamente semelhantes à sua memória.
e fique aí, imortalizado, doendo. porque enquanto tiver doendo terei a certeza que ainda lhe amo e amigo, a última coisa que quero é um coração curado. fique assim, apareça de vez em quando, pra eu me contorcer de dor, despedaçando cada pedacinho de minh'alma, fazendo com que cada célula se arrependa daquelas palavras ditas e incrivelmente, imutáveis.
isso tudo, porque você nem me viu.
