domingo, 27 de maio de 2012

e aí tudo muda...

engraçado como o tempo vai passando e você vai percebendo quantas almas irmãs você tem na mão e perde.
quanta confidência que já nem importa mais, olhares tão cheios de compreensão, olhares que hoje são tão vazios como essa escuridão que vejo ao sentar-me no parapeito da janela.
eu rio vendo o mar e me lembrando daquele lugar que só tem bar; rio porque mesmo que eu renegue quantas vezes for possível a saudade, eu sei que ela existe mais forte do que o controlável, simplesmente por sair rasgada, estúpida, escancarada num 'moooça do céu', seguido de uma risada forte.
é complicado demais entender que o que se foi não voltará, que aquelas pessoas agora são memórias, independente de suas ações atuais.
mudamos todos, talvez tenha mudado até mais. condenam-me sempre, todavia, acostumei-me com esses pré-julgamentos. já os fiz também. sentada na porta da casa de dona inês, ali na esquina da rua do araês, sentada com vocês que hoje me julgam.
não me comovo sempre, acho que sou até meio dura demais. coração já virou gelo há muito, mas confesso que não resisto a uma boa dose de nostalgia; de vídeos, de fotos, de músicas. as tais músicas que marcaram dois anos inteiros.
dois anos nos quais fui tão feliz quanto foi possível, ou até mais, considerando as circunstâncias estranhas as quais me submeti.
marcantes, não? anos que hoje considero de sumo amadurecimento. se sou o que sou hoje é graças a vocês, que talvez infelizmente nem saibam como me sinto, ou pensam que sabem. nem peço que não me julguem, faz parte. talvez esteja mesmo errada.
a verdade é que entre sorvetes no paulista e milhares de salgados na padaria; mojitos e big apples na pracinha; sons de carro animados na casa de pais de amigos (que vejam só, já não tenho notícia há tanto tempo...) e como não lembrar? os melhores jantares que já comi durante esses anos de minas gerais; hoje resta o que sou. e o pouco ainda que não quero oferecer. sim, ninguém esteve errado.
não quero mesmo oferecer, porque acho que é hora de oferecer esse restinho de ser meio malcriado, meio louco que sou ou me tornei (já nem sei) a outrem. é hora de reconstruir um mundo novo, pela quadragésima vez.
é hora de tentar ser de novo, especial para alguém (se é que o fui; a verdade é que nem quero saber) como já fui um dia para certo grupo de amigos, primos, tios e outros assim.
e vou tentando humildemente continuar, em novos points (apesar de sempre ter uma saudade absurda de descer pro pora's no sábado a noite), em novos meios de transporte, em novos hábitos, em novas cores.
e se tudo tem de passar assim, tão rápido, que pelo menos fique a lembrança de madrugadas de conversas longas (porque apesar de já ter-se ido, os horários trocados ainda continuam), de muito frio nas esquinas. e até mesmo, de pontinhas de vaga-lumes nos escuros de algum lugar. tantos maus hábitos que adquiri e de certa forma, gostei. ainda sinto na pele a sensação de ansiedade e medo, quando eu descobria que poderia facilmente ser feliz na sexta-feira a tarde.
é uma saudade que dói, mas em meio a tudo isso, você finalmente consegue prosseguir e se incrementar. sou hoje parte de tudo isso, marcada a fogo por cada olhar de cumplicidade que já troquei com alguém, com cada fugida de casa depois do cursinho, cada tentativa ninja de ligar o modem no alto da madrugada.
estendo aos quatro cantos minhas lembranças, "as coisas tão mais lindas que já conheci", as respostas ou perguntas, sei lá, que me fazem agir como ajo. e assim, vou vivendo, continuando, crescendo. que se feche novamente a caixa de pandora. deixe-a cerrada por outro grande período, até que não aguente mais morder palavras e momentos, até que eu tenha de cuspi-los novamente.

obrigada?



"E para os tais desse mundo de normais, a vida é andar em corda bamba, mas para aqueles de extremos... A corda é arame farpado."

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