segunda-feira, 14 de maio de 2012

reflexão e texto das mães (que não vale a pena ler).

acordar em outra cama, não ver o sol, não sentir na boca aquele gostinho de ressaca que você se lembra muito bem de ter sentido ano passado.
engraçado perceber o quão a vida muda num espaço de tempo de mais ou menos 365 dias.
ontem eu estava toda cheia de preocupações com o futuro, com a repercussão que a festa (que eu me lembro em detalhes até hoje) iria ter e pior ainda, com o tamanho da vergonha que eu teria das minhas ações de sábado.
não preciso nem me esforçar para lembrar o quanto eu hesitei acordar naquele domingo. primeiro, porque era dia das mães e minha mãe estava muito longe do alcance de um abraço. depois, porque minha ressaca era sofrível, ou melhor, minha ressaca moral era absurda.
lembro-me bem da horda de choros que se seguiram; todos amparados por alguma das mil-mães que tinha, mas que, infelizmente, eram incapazes de amparar.
isolei-me então, como era de costume. vi o dia passar sentada, sozinha ao batente do portãozinho de entrada. aquilo doeu, mas era algo inevitável.
de todas essas recordações, a mais forte é a da dor. da insegurança absurda que eu sentia. do medo do ridículo misturado a uma vontade de ver que o ridículo era o certo.
estava errada, claro.
hoje eu sei que o ridículo foi somente o ridículo. errado. e que nem de longe, poderia ser o certo.

não se passou muito tempo, mas já vejo aquelas cenas sob uma outra perspectiva. já sou capaz de entender o verdadeiro papel de cada acontecimento naquele espetáculo, ainda que seja obrigada a aceitar que ele foi necessário e importante para toda a construção que viria a seguir.

é engraçado sabe? ver tudo através de um espelho turvo, como em um reflexo. estranho a ponto de prender minha atenção pelo dia todo. perturbador ao ponto de me fazer questionar sobre a real importância disso nos meus dias.

há ainda, uma flor morta, decomposta hoje, que foi pivô de uma briga que não foi bem briga, foi mais uma discussão de olhares, um silêncio envergonhado ou rancoroso (prefiro acreditar que envergonhado), o motivo para um sentimento de revolta, que me levaria a situação problema, já questionada.

e aí você pensa, será que se não houvesse havido flor, ou se ela tivesse sido repassada a outras mãos, teria havido tudo isso?
e você sabe que não.
e você se pega sorrindo e entendendo pela primeira vez, a importância das decisões.

é, 2011, você me marcou de uma forma absurda; acho que foi você quem estalou os dedos e me disse para acordar do inferno- 2010. e agora, o que você é? nada.
e agora, o que eu sou na vida de toda aquela gente que eu aplaudia? nada.
e agora, o que toda aquela gente é pra mim?

deu até uma vontade de escanear uma foto pra ilustrar o post, mas no momento é impossível. deu até uma nostalgia leve. segunda vez que sinto isso. a primeira num domingo (e o melhor de tudo isso é descobrir que aqui, no brejo, em moc ou na china, domingos são eternamente chatos), uma vontade leve de comer de novo aquela feijoada das mães de Renato e brigar pela coca cola com os mil primos. uma vontade estranha, semelhante a de não ter vindo, ou melhor, não ter crescido.

então, lembro bem que estou com fome justamente porque não consigo engolir nem água, e aí a vontade passa. o gostinho de ressaca infundado que apoderava minha boca desde a manhã passa e eu finalmente, consigo entender o reflexo das minhas escolhas no meu cotidiano.
é, no mínimo, estranho.


-x-

mas faltou o texto das mães.
que eu prometi que escreveria agora, meio que para fazer disso uma tradição.
e agora, sinceramente, não sei o que escrever.


já pensei muito sobre o que significa minha mãe, e acredito que ela é como as estacas que me ligam  ao chão.
sim, sempre me achei imensamente palafitas, inconscientemente atingida pela força das marés (há, que clichê!), e daí descobri que minha mãe é justamente o prego que não me deixa 'ser levada', que faz com que eu permaneça ali e que também, por ser alto, evita que eu me encha tanto com as marés altas (sofro só os respingos) das confusões. ela é quem verdadeiramente luta, enquanto eu só permaneço ali, guiada.
até o dia em que o mar seca, e as estacas não são mais tão necessárias.
então é hora de guardar as estacas na sua casa e cuidar muito bem delas, dando seu descanso merecido.
e aí você sempre pede os seus conselhos na hora de enfrentar as chuvas, os ventos e continua aprendendo.
só que um dia, essas estacas somem, e você nunca mais as vê, por alguma vontade do destino.
e aí você precisa mostrar a elas (mesmo que invisíveis) aos olhos, que você aprendeu o que elas lhe ensinaram, nada as faria mais feliz.
você precisa continuar enfrentando as intempéries e reformando suas telhas e estruturas também (a casa vai crescendo, não se esqueça), sem o auxílio das estacas.
não se sinta bobo, se um dia você precisar se perguntar qual seria o conselho das estacas. simplesmente enxergue a resposta. ela será, sem dúvidas, a melhor de todas, o mais legítimo conselho de mãe e este, vale mais que qualquer reforma dessa casa.

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