E hoje, dia
vinte e oito de janeiro de dois mil e quinze eu só me pergunto será que você
não podia ficar nem mais um minuto comigo? Que perdesse esse trem e fosse
embora só daqui a muitos amanhãs. Ia te mostrar que sua fita amarela continua
aqui, sem choro e nem vela, mas com muita muita saudade. Afinal, não foi você
que ensinou que saudade até que é bom, melhor que caminhar vazio? Eu sei, no
fundo sempre soube, que jamais estarei sozinha (mesmo que Anália não quiser ir)
enquanto você estiver lá, onde “nem a NASA chegou”.
Vamos jogar um dominó? Ou quem sabe uma partida de pif-paf? Prometo que lavo a louça depois se eu perder. Prometo que lavo todas as louças se você voltar por mais um dia. Compro até uma lavadora se você voltar pra sempre. Deixa só eu te contar que as coisas estão tão bonitas, tão cheias de luz. Acho que depois que “minha jangada saiu pro mar” me tornei uma pessoa melhor. De verdade mesmo. E agora, pensando melhor, acho que você não poderia ter vindo de outro lugar. Essa sua alegria não teria outra explicação.
Às vezes eu me pego sorrindo e
acho que você está por aqui. Besteira né? Espero até que a campainha toque pan pan ran
ran pan pan e alguém entre de gravata, assoviando com que roupa eu vou ao samba
que você me convidou. Mas o som da campainha mudou. Ninguém entra. E com açúcar
e com afeto, faço um chá de erva doce e fico esperando você aparecer pra tomar.
E tomo com tua memória um chá de
quarta-feira e fico esperando pelo domingo. Só pra lembrar que você me acordava
cedo pra ajudar a ligar o toca-discos, aquele bem velhinho, do tempo que
amantes à moda antiga ainda mandavam flores. E ali, perdida nesse tempo que já
se passou, procuro um dia ser tão feliz como já fomos, aquela felicidade que é
como a pluma que o vento vai levando pelo ar. E você me manda respeitar os teus
cabelos brancos, que ninguém viveu na vida o que você viveu. Mas eu só queria
ir mais rápido, não tinha paciência não. Você me perdoa?
Me perdoa essa falta de tempo,
que hoje, chega a me desesperar. Anistia esse meu coração arrependido, de quem
já teve muitas chances e desperdiçou todas, uma a uma. Volta e põe a mão na
minha cabeça mais uma vez. Implica com tudo de novo. Manda que eu fale baixo,
insista para que eu fique quieta, muda o canal da televisão sem avisar. Faz o que
quiser, mas tira essa coisa ruim que ficou. Diz que não tem problema não, que
amanhã há de ser outro dia e que esse sentimento há também de se desinventar.
E por último, fecha a porta
baixinho, depois que eu dormir, cobre minha cabeça, mesmo com esse calor de
quarenta graus e olha bem nos olhos meus, deixa-me ver nos seus olhos pelo
menos um olhar de adeus e canta, canta só mais uma vez que eu nasci assim eu
cresci assim e vou ser sempre assim, que eu juro que eu hoje eu consigo dormir
em paz. E olha, antes que eu me esqueça, feliz aniversário :)
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