segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Um amigo oculto um tanto cheio de soluços...


Um pequeno discurso, algumas lágrimas e muita alegria...

Ela é antes de mais nada mãe, a grande matriarca. Cheia de casos pra contar, tem inscrita no rosto toda a experiência de 72 anos, é uma das minhas luzes. São seus olhos que vejo todos os dias antes de ir para a escola, são seus olhos que vejo logo quando chego.
Não há como não amá-la, simplesmente ela encanta, com todos os seus conselhos cautelosos, suas brincadeiras e gargalhadas. Não há como não admirar a beleza dessa mulher, quando ela assiste uma novela, cozinha ou até mesmo pega o resultado do jogo do bicho...
Ela se chama Maria, nome mais doce, repleto de atribuições divinas, em outra vida mãe de Jesus, nesta de 8 filhos, todos criados em sua mais pura compaixão. É a avó mais gentil que alguém poderia desejar, a única que eu tenho, mas acredito que ela faz um papel tão bom que compensa a falta de qualquer outra.
Minha querida, hoje desejo-lhe toda a paz que puder imaginar, pois a paz se faz da união da felicidade e do amor. É, Maria Alves Dias, eu puxei seu nome nesse amigo oculto, nenhuma benção de Natal foi maior que essa.
Eu te amo. 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ainda que não seja a última vez...

" Sinto saudades de quem não me despedi direito, das coisas que deixei passar, de quem não tive mas quis muito ter. "
(Clarice Lispector)



Um mesmo tipo de saudade

Saudade que vem
Saudade que vai
Saudade que sufoca
Numa grande turbulência
Saudade que fica
Apertando o coração
Extravasando a emoção
Saudade que se faz lembrar
Em qualquer dimensão
Tristeza feliz
Repleta de apreensão

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Quase Iemanjá


Resolveu sair sozinha numa noite quente de verão.
Caminhava com rumo certo, só queria sentar na areia e respirar um pouco do cheiro de maresia, ouvir o quebrar das ondas e ter finalmente um pouco de paz. A calma que sentia ali era revigorante, dizia até que era um pouco sereia, tirava energia das ondas do mar.
Percebeu que não estava sozinha, não teve medo quando ele se aproximou perguntando à hora, não estranhou quando se sentiu extremamente confortável ao lado do tal rapaz.
Seu nome era ainda um mistério, todavia sabia quase tudo sobre ele, aliás, sabia tudo o que precisava. Caminharam juntos em direção ao mar, não se importaram quando a primeira onda veio, nem a segunda... Na verdade, não se importaram muito com mais nada naquela noite...


Um último lamento.

Era uma tarde cinzenta, que combinava com seu humor. Vestia um casaquinho vermelho de lã, surrado. Não ostentava nenhum luxo ao qual tinha direito, nem sequer usava um colar. Simplesmente chorava, olhando a chuva cair... Sonhava acordada cada dia mais, queria reviver o passado, poder abraçar o dono daquele casaco  acolhedor.
Cochilou, sonhou com noites quentes e enluaradas de sussurros à beira-mar, promessas e pedidos de desculpas; visualizou perfeitamente seus olhos verdes, sentiu os cheiros no ar, uma mistura de floral e almíscar, juntos, como sempre foram. Sonhou com ele ali, protegendo-a do frio, cuidando de seus constantes resfriados e alimentando-a na hora certa, sentiu-lhe entre seus braços e desejou seus lábios apenas por mais um tênue segundo. Acordou quando visualizou sua partida eterna, para os braços da etérea mansão.
Não chorou, feito inédito nos últimos meses. Sorriu ao sentir que seu corpo magro convalescia, partiu em silêncio, feliz. Talvez a morte reunisse os dois para uma última despedida. Se não, ficava contente em só não existir mais, não havia para ela mundo sem ele.
Morreu de paixão, reviveu no amor.


sábado, 11 de dezembro de 2010

Depois da tempestade, o copo d'água


. diz:
 "Colocamos tantos pontos finais em nós que acabamos cheios de reticências".

E quem sou eu pra discordar quando essa é a mais pura verdade?
É uma pena que tudo tenha ficado assim, tão sem explicação.