quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Um último lamento.

Era uma tarde cinzenta, que combinava com seu humor. Vestia um casaquinho vermelho de lã, surrado. Não ostentava nenhum luxo ao qual tinha direito, nem sequer usava um colar. Simplesmente chorava, olhando a chuva cair... Sonhava acordada cada dia mais, queria reviver o passado, poder abraçar o dono daquele casaco  acolhedor.
Cochilou, sonhou com noites quentes e enluaradas de sussurros à beira-mar, promessas e pedidos de desculpas; visualizou perfeitamente seus olhos verdes, sentiu os cheiros no ar, uma mistura de floral e almíscar, juntos, como sempre foram. Sonhou com ele ali, protegendo-a do frio, cuidando de seus constantes resfriados e alimentando-a na hora certa, sentiu-lhe entre seus braços e desejou seus lábios apenas por mais um tênue segundo. Acordou quando visualizou sua partida eterna, para os braços da etérea mansão.
Não chorou, feito inédito nos últimos meses. Sorriu ao sentir que seu corpo magro convalescia, partiu em silêncio, feliz. Talvez a morte reunisse os dois para uma última despedida. Se não, ficava contente em só não existir mais, não havia para ela mundo sem ele.
Morreu de paixão, reviveu no amor.


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