sexta-feira, 8 de abril de 2011

lascivo.

Não podia aguentar mais um minuto sequer daquilo.
Era irônico que naquele dia lágrima alguma houvera saído de seus olhos. Aqueles olhos verdes, herdados do pai. O pai que agora não respirava.
Se recusava em aceitar o fato: estava morto, imóvel como uma estátua. Queria cuspir na cara do médico, quebrar todo aquele hospital sórdido; precisava vingar aquele maldito erro, em vez disso, correu.
Fugiu dali, pegou o primeiro ônibus que encontrou, parou na Lapa. A atmosfera impudica atingiu seus pulmões, cobiçava aquela sensualidade, iria atrás dela até o fim dos tempos. Esquecendo-se do pai morto, do hospital repugnante e do descaso dos médicos seguiu uma mulher que dançava e caiu em seus encantos.
Finalmente chorou, lembrou-se do pai entrelaçado ao corpo da formosa, precisava retornar mas ansiava por mais tempo com aquela mulher. Cinquenta reais foram deixados à mesa de cabeceira, foi-se embora, tomou as malditas providências e decidiu-se a tempo. 
O passarinho se sentiu falcão quando pousou na vida noturna àquela noite. Afinal de contas, "Amélia é que era mulher de verdade"...

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