sexta-feira, 8 de abril de 2011

ingenuidade.


Ele levara morangos com desvelo, por mais um dia. Ainda que não fosse a última vez ela comeu os morangos e o mandou ir embora mais cedo, não o queria.
Ele levara um filme, de coração. Ela disse que assistiria mais tarde e se despediu.
Ele então chegou de mãos vazias, acreditando que ela aceitaria seu amor. Ela o ignorou e foi se encontrar com outro.
Ele esperou que ela saísse e retornou ao hall de entrada, depositando uma flor sobre o porta guarda-chuvas. Não podia deixar de presenteá-la, nem mesmo no seu último dia.
E por uma última vez olhou ansioso para a porta e sentiu que suava frio. Tinha sido assim nos últimos três anos, diariamente.
Apontou o revólver para a cabeça; não se sentia suicida, já que não vivia havia muito. Foi-se esperançoso de piedade. Alguém precisava condoer-se dele,  que só gostava de dar presentes e que era perdidamente apaixonado pela moça errada.

Ela chegou com o outro e notou o corpo ali, riu com escárnio e decidiu que só chamaria a polícia bem mais tarde.

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