Onde antes houvera uma mulher agora havia uma tristeza-mulher.
Esta última era o enlace de uma vida com uma sobrevida, era a banalização de tudo que um dia já sentira, era, sobretudo, a desilusão.
Não sabia mais o que era dormir, desaprendeu a respirar sem dor. Tudo estava morto por dentro, somente ela relutava em desaparecer.
Uma lembrança era o fio de sua vida. Viver era a lâmina da derrota.
Sentiu vontade de chorar, mas não possuía mais lágrimas. O pranto foi interno, seu coração foi abalroado mais uma vez, seus pulmões lutaram inutilmente por ar, a garganta esboçou um grito triste, que mais pareceu um gemido trêmulo.
A memória então tomou o lugar do sofrimento, mecanicamente se recordou de um par de olhos verdes e de um sorriso avassalador. Não se acalmou de todo, limitou-se a vagar seu olhar e reduzir as marteladas em seu nobre coração.
Por hora estava bem, ainda respirava.
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