quarta-feira, 29 de junho de 2011

mudaram as estações, nada mudou.

procurei-te no céu e desci até o inferno, mas não te encontrei.
cuspi palavras ao vento, gritei sozinha, jogada ao léu.
quis te matar, quis te apagar do mundo, mas não consegui.
raiva me dominou, mas ao invés de te esquecer, tornei a amar você.
e agora estou aqui, acabada, decepcionada e morta de um querer.
só penso em um dia, voltar a te ver.



terça-feira, 28 de junho de 2011

10:30 pm

rotina vem me cansando, me decepcionando.
rotina vem me desiludindo, vem afastando.
rotina é assim, numa hora aproxima, noutra afasta.
rotina que aos poucos, mata.

ajo mal, faço tudo errado
essa rotina só prova o que já era sabido, o inconteste
não sei dar as cartas de jogo algum
e mesmo quando pude mudar, deixei que passasse.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

turbilhão.

ando meio brigada com as palavras e acho que nem quero fazer as pazes por enquanto.
escrever é sinônimo de entristecer, quando rabisco o papel é como se desenhasse o meu coração, eternamente despedaçado.
em contrapartida, quando não escrevo experimento de uma alegria excessiva, estupidamente eufórica, que não me pertence. estou para a melancolia como a vida está para mim, só não sei muito bem o que fazer com isso, aliás, já não sei é de mais nada.


"Aprendi também a não contar muito com os outros: na medida do possível, faço tudo só. Dá mais certo."
(Caio Fernando Abreu)

domingo, 19 de junho de 2011

"que eu tenho medo de escuro".

Montou o dragão de São Jorge e saiu a procura.
Revirou ruas, praças, casas e lojas. Buscou até na quarta dimensão.
Achou-a num boteco qualquer, virando a quinta dose de vodka. A face borrada de maquiagem, o cabelo, tornado.
Não disse uma palavra quando abraçou-a, esperando retribuição.
Não foi abraçado, mas tampouco largou-a, queria mostrar que estaria ali e não sairia. Aos poucos, foi envolvido por braços inertes, gelados; sentiu uma leve carícia em seu rosto molhado; um choro não era suficiente. Recuperara-a.
Corações descompassados buscavam-se loucamente, estavam irremediavelmente entrelaçados. Juraram-se de amor e foram embora juntos.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

desapego.

caminhou triste pela rua, tampouco segurando lágrimas: antes chorar só que perto dos seus. sentia-se de repente isolada, fragilizada excessivamente, inexplicavelmente abatida.
não notou a efemeridade do tempo, ou se a notou, ignorou.
permaneceu de cabeça baixa e ali ficou.
não soube mais de nada, permaneceu tremendo de frio e esperou em vão por alguém.
morreu de hipotermia.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

casa de máquinas.

começa a partida, o perigo ronda, qualquer deslize é o fim.
chega de disparar a arma descarregada, eu quero é munição. chega de fingir correr riscos, eu quero é me machucar. o jogo fica mais e mais perigoso e vejo que lidar com fogo e gasolina pode acabar custando minha própria vida. nem me importo, se for pra mergulhar, que seja de cabeça.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

desordenação.

Mostrar-se doente nada mais é que provar-se fraco.
Todavia, não me refiro à fraqueza física, produto da má alimentação; falo em desânimo, em falta de vontade de perseverar. Neste contexto, sinto-me constantemente em desalinho, buscando o intangível, demonstrando minha constante enfermidade.
Vivo então testando fármacos, tornando pequenas coisas em razões para continuar existindo.
Estar aqui não é de forma alguma fácil, amadurecer dói, machuca e por muitas vezes prefiro me esconder sob minha bolha de resistência. Contudo, a cada nova descoberta sinto algo renovar-se; é como se minh'alma almejasse o futuro, buscasse a transformação. 
Sendo assim, apesar de não compreender corretamente esse paradoxo no qual me encontro, vou aprendendo a utilizar de sua complexidade para desvendar o mundo, de forma a obter minhas respostas tão ansiadas. No entanto, o maior problema é que sei que quando finalmente as tiver, mudarei todas as perguntas outra vez.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

transfiguração.

Esse tal de apego é o que me destroi. 
Corrompe, pois, a frieza, removendo dela sua essência, tornando-a calor. Adquiro uma postura enjoativamente sentimentalista: dias melhores, sorrisos abertos e até mais brilho no olhar. A sombra teima em se iluminar, força uma aura diferente. O calculismo perde as forças, quase deixa de existir.
Já nem sei mais como proceder; tento inutilmente reativar minhas armas, todavia a pólvora simplesmente não abastece mais os canhões. 
Estarei transformando finalmente Mirapólvora em Miraflores? Isso nem Saint-Exupèry será capaz de prever. Entretanto, realmente espero estar compreendendo de fato o que me cerca e guiando minhas emoções para o lado correto, já que nunca tentei descobri-lo tão meticulosa e complexamente quanto hoje.