Dói; apunhala qualquer vestígio de orgulho que ainda tenha me sobrado. Apesar disso é um sofrimento meio sofrido meio apreciado. Não sei se dói mais tê-lo feito ou tê-lo findado. Não consigo compreender o porquê do meu último esforço, o porquê da última resistência.
Se fui é porque sabia, pressentia e talvez até ansiava. Agora, momentaneamente enlouquecida, perco-me em devaneios e me culpo por ter impedido que prosseguisse; que eu fosse, ao menos por uma hora, feliz. Todavia, sinto também pontadas de uma dor que não precisava estar tão aflorada.
E a verdade é que sei, mesmo dizendo o contrário. Sei o que me fará feliz agora e o que me fará feliz em longo prazo. Escolho, um tanto que a contragosto, o futuro. Um portão batido e um virar de costas não deixarão de ser definitivos, pois. Assim, continuo jogando fora as cápsulas de ginseng que me são dadas diariamente, firme na esperança de uma memória cada vez pior, que lhe apague completamente.