terça-feira, 20 de setembro de 2011

"porque era cedo demais e nunca tarde"

O medidor de batimentos cardíacos já não fazia quase algum barulho; sabia que o fim estava próximo.
Entretanto, via-se só, sem qualquer rosto para gravar na memória de seus últimos segundos. Estava partindo para um mundo desconhecido sem qualquer voz a dizer-lhe que tudo ia ficar bem. Foi aí que viu que nada iria ficar bem, porque não poderia desperdir-se daqueles olhos verdes que tanto a inspiravam, que por vezes pararam seu pensamentos e fizeram-na navegar num mar de águas profundas.
Estremeceu com a memória e estranhou seu súbito medo. Há tanto queria a morte, ansiava por ela; conseguira até mesmo convencer seu corpo a morrer e agora, em vias de ter o que queria, necessitava desesperadamente tornar a viver.
O paradoxo da alegria imersa na dor inundou seu pensamento. Sentiu-se demasiadamente desperta, mais que nos últimos 2 anos. Viu-se em vias de recuperar-se. O que a animava era a expectativa de vê-lo outra vez, de sentir aquelas mãos entre as suas. Quase se levantou e foi embora, quase. Lembrou-se então que não poderia mais observá-lo, nem senti-lo. Ele, assim como tudo o que importava para ela, estava morto, perdido nos braços de um além desconhecido. 
Abraçou a concórdia interior e sentou-se delicadamente nos braços negros da morte. Por um minuto, sentiu que ele estava ali e então o frequencímetro silenciou-se completamente.

sábado, 17 de setembro de 2011

de desvelo, não eu.



O que nos falta é só mais um tanto de poesia. É buscar no imutável dia-a-dia a novidade, é simplesmente tender ao improvável, ao diferenciado.

Ser distinto está em aprender com os malogros da existência e saber relembrá-los na hora certa. Está em buscar ardentemente pela felicidade, sem, no entanto, amargar com possíveis decepções. Saber viver, não consiste em aceitar a dor, tentando apenas contê-la; isso é pouco. Saber viver é deixar que a dor perfure e que a cabeça enlouqueça, para que quando finalmente ela cesse, estejamos tão corroídos que seremos obrigados a transmutar.

 Mudar é, pois, a chave para a vida. A busca do verdadeiro sucesso, aquele que seja único dentre os demais; o verdadeiro êxito da alma. A partir dele o contentamento aparece, tornando-se nosso, por ora. Fazê-lo ficar, porém, é um tanto mais complicado e exige de nós uma luta cotidiana, que perdurará para toda a vida; luta em que não veremos se vencemos ou não, uma luta de pontos de vista. 




Ps.: odeio esse estilo de escrita; quando tento, não consigo concluir uma só frase coerentemente, todavia  foi necessário.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Tal como Atlas.

Foi-se, passou de repente; sumiu aquela dorzinha que no fundo gostava de sentir.
Porque senti-la era a certeza da normalidade, a iminência de poder sentir, de ser capaz de se importar. E agora, o que faria? Valeria a pena tornar a recriar outra história? Para ter de reviver todas as alegrias e, principalmente todas as incertezas.
Temia que a resposta fosse não, que houvesse se tornado pedra, fria. Agora, caberia a ela a missão de se conhecer, já que o sofrimento havia transformado-a profundamente. E assim, via-se invariavelmente só, com o peso do mundo sobre as costas.


em 15/09/11, aula de Química.

domingo, 4 de setembro de 2011

de dezembro de 2010, meio revisado. 'when a tornado meets a volcano'


Um dia um tornado encontrou um vulcão. Logo se tornaram inimigos, logo se tornaram amantes.
O tornado atendia por um nome de mulher, discreta e geniosa, era uma pessoa sábia além do imaginável, sempre dizia as palavras certas. Não era tão bonita, mas tinha uma sensualidade apelativa, alguma coisa a mais, talvez fosse seu gênio. Ninguém queria ser o motivo da ira daquela mulher, quando sua excepcional calma se transformava em raiva, não havia quem a parasse. Discutia elegantemente, porém possuía uma arrogância digna de aplausos.
O vulcão era homem, dos mais bonitos e divertidos. O vulcão não tinha a arrogância do tornado, porém tinha o dobro do seu orgulho, ele não era tão inteligente, no entanto sua beleza cegava até os olhos daqueles que já não enxergavam, seu carisma era inigualável, todavia não era nada calmo. Aliás, ele vivia se estressando. Não tinha muita paciência com gente arrogante, não tinha muitos escrúpulos na hora de discutir.
Numa dessas discussões seus caminhos se cruzaram, a briga foi devastadora, ela discutiu nem tão elegantemente, ele manteve-se rígido como sempre, poucas horas depois sentiam o mais intenso prazer que a paixão podia proporcionar-lhes. Tornaram-se inimigos amantes.
Tudo foi extremamente difícil, atiravam seus defeitos na cara do outro como num jogo de dardos, eram apaixonados duma forma que doía imaginar. A emoção dela nunca o comoveu, contudo sua arrogância o divertia. O ceticismo dele nunca a atropelou, todavia tropeçava no seu orgulho. Nenhum dos dois teve coragem se desculpar, acabou então.
O mais estranho é que ambos estavam errados, a arrogância do tornado não deixou que ela admitisse seu erro, o orgulho do vulcão falou mais alto que seu desejo. Viveram infelizes até o dia do reencontro. Quando se viram, a Terra fatalmente sentiu a turbulência do encontro de um tornado e um vulcão.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

I should care.


 “I should care, I should go around weeping
I should care, I should go without sleeping
Strangely enough, I sleep well
I should care but it just doesn't get me
Maybe I won't find someone as lovely as you
But I should care and I do

And I Do”


As dúvidas que sempre me rondaram agora me atingem de uma forma incrível, tornando-me refém de incertezas e mártir no caminho do acerto.
Temo estar confundindo tudo e me complicando nos meus, quase inexistentes, julgamentos, ou pior ainda, receio estar certa.
É difícil conviver com essa nova perspectiva e com a certeza de um futuro meio obscuro e sigiloso demais, é complexo entender o motivo tem de ser assim, é intrigante me perguntar o porquê de ser comigo.
Entretanto, mesmo enlouquecida e cada dia mais fragilizada pela confusão interior que alimento, ainda espero por uma luz, algo que me trará a certeza de minhas escolhas ou ainda, a confirmação daquilo que tanto me incomoda. Gostaria somente de poder continuar na inconsequência de meus atos e declarar independência desses malditos cordões que me regem, no entanto, não posso fazê-lo e ao invés disso, caminho para me pregar mais ainda a essas malditas amarras.