faltam 10 minutos pra 1 hora da tarde e começo a olhar insistentemente o relógio, como se reclamando com ele pudesse fazer o tempo passar mais devagar. não posso me atrasar tanto. é tarde, já me atrasei.
faltam 10 minutos pras 5 da tarde e meu relógio está sofrendo novamente, dessa vez eu suplico-lhe que corra com esse tempo, que sei lá, somente dê um jeito de fazer esses 10 minutos voarem.
hoje, meu relógio quebrou.
talvez tenha se cansado de tanto ouvir essas besteiras, esses pedidos descabidos. ora, que culpa tem ele se sempre estou atrasada, correndo? hoje foi ele que não aguentou correr mais.
ou talvez não tenha mais aguentado ver todo dia acontecendo igual.
desistiu de tanta soneca programada no despertador, dos banhos mecânicos, do almoço cada vez mais corrido.
não suportou mais tanto esporro pra parar o pobre do tempo, tanto corre-corre pra chegar na tal estação de metrô. deu pane por pegar todo dia o mesmo vagão, sentar-se no mesmo lugar, ver os mesmos relógios gastos nos braços das mesmas pessoas cheias de uma aura apática, insatisfeita. parece um cansaço geral.
esse relógio nunca mais vai ouvir Amy Winehouse cantar uma sequência maravilhosa de 4 ou 5 músicas diárias. não fará mais tic tac na fila interminável do elevador e nem sofrerá xingamentos perto da hora de ir embora.
esse relógio também desistiu. assim como os que os precederam e os muitos que o procederão.
e olhe, esse foi um sobrevivente.
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