Abraçou a tristeza e finalmente sucumbiu às lágrimas; estremeceu de frio, todavia não havia nenhuma mão amiga a ceder-lhe um casaco, estava completamente sozinha.
Ao fundo, vozes ecoavam pela casa, vozes que ela reconhecia; vozes de gente que não se importava. Chorou um tanto mais, reconheceu o pranto como necessário, o sabor era tão salgado quanto sua existência.
Não possuía a vontade necessária parar enfrentar sua dor ou simplesmente para fechar a janela e parar de tremer. Estava ali, descabelada, inerte.
Sabia que dessa vez não resistiria à tamanha desilusão e pressentia seu fim cada dia mais próximo. Numa última tentativa buscou em sua memória qualquer lembrança que a fizesse querer viver, um patrono só seu; incapaz de achá-la soube que aquele era seu derradeiro momento. Rabiscou uma frase na parede, que ao dia seguinte trouxe além de comoção, a revolta geral. Dizia que fora vencida pelo niilismo aprendido, pelo amargo de ter perdido seus sonhos, mas mais ainda, pelo desgosto de ter se visto sozinha em meio a tantos rostos que antes denominava protetores.
